01 março, 2011

Mel amor

Havia um buraquinho no meu peito, fui com o mindinho, pra provar do mel de dentro. 
Era tão bom, desejei repartir. Mas meu dedinho cresceu e hoje só há um abismo.

Ainda havia mel, mas ninguém o quis. Me escorria como amor todas as manhãs, mas o povo daqui tem pressa de chegar. Desperdiçam o sol quente e a grama que brinca na pele de fazer cócegas.

Achei que sozinhos íamos ficar, eu e o senhor abismo.
Mas você chegou sorrindo, então não precisei também do sol ou da grama.


Apenas do seu abraço de urso, 
uma vez por semana.

Beatriz Oliveira.

23 fevereiro, 2011

Florir

  
 Me sinto tão miúda quando não posso florir, mais ainda quando não posso abraçar. Porque sempre tem alguém que não cabe na distancia ou na presença. E eu fico torcendo sempre aqui deste lado, pro sorriso nascer no cantinho da boca, ao invés de lágrimas. Pois  me choro também por não ter que fazer. Infelizmente ainda não sou fada, quisera eu ter tanta magia. Sirvo afinal pra que? Se não tenho poder de fazer felicidade, se também não posso florir?


Sento e espero que volte a ultima estação,
o meu sonho que é de primavera e não verão.


Beatriz Oliveira.

07 fevereiro, 2011

Palavra de vento


Sabe nunca imaginei que eu fosse viver assim, pra fora, bonito. To vivendo tão sem culpa ultimamente.  Quando percebi até ri. É bem assim que tem sido, vivo rindo de mim mesma. Como numa melodia calma onde a gente dança no ar, sem pressa de chegar ao fim. "Vai com calma menina!", me diz o vento, tem tempo de sobra pra você sentir o mundo.

Beatriz Oliveira.

02 fevereiro, 2011

29/01/11

 Eu queria escrever sobre aquela tarde de sábado, queria muito. Me lembro do momento acontecendo e eu pensando: preciso escrever sobre isso, preciso gravar o que senti enquanto nós dois juntos, de dentro da piscina olhávamos pro céu da tarde que chegava mansinho, e o sino da igreja que badalou suavemente, de hora em hora, o dia todo (um som daqueles que ficam pra sempre na mente). 

 O jeito que sua pele pareceu macia, e o seu abraço seguro.

 Aquele quarto quente e escuro, onde permanecemos calados só olhando um para o outro. A luz fraca amarelada, que deixou tudo de certa forma mais poético. As nossas possibilidades de um futuro bom e o meu medo - como sempre - borrando tudo. E você me chamando pra ficar mais perto, deitar no seu ombro.

 Todo o silêncio dos nossos pensamentos. Até que você se ajoelha, como se o momento fosse agora parte de um romance, daqueles que eu sempre assisto, me pede em namoro e eu te beijo sorrindo em forma de sim.

  Mas quando eu penso nisso tudo, eu me esqueço, me esqueço das palavras exatas, qualquer uma serve, nenhuma também serviria, a imagem que importa não vai se apagar tão cedo da minha memória.

 Bobagem? Talvez. Mas eu não me importaria em ficar sempre assim, deitada no seu abraço.  

Beatriz Oliveira.

25 janeiro, 2011

Para ler ouvindo: O silêncio

 Das coisas que amo no mundo, a mais linda pra mim é o silêncio. 
 O problema é que demorei tempos pra descobrir que silêncio não é a ausência total de sons, ao contrário, silêncio é um amontoado de pequenos ruídos. Ruídos suaves ou não.

 Silêncio pra mim é tudo que se move em câmera lenta e leva nosso pensamento longe. É tudo que se escuta com calma quando as vozes se calam, quando se guardam as línguas traiçoeiras.

 O silêncio dos carros velozes cortando as rajadas de vento, ou o próprio vento assoprando no ouvido dos apaixonados. As alamedas tristes, as casas abandonadas e as ruas caladas no fim de tarde.

O silêncio da estrada no caminho pro mar e o cheiro de chuva que também é silêncio. Porém há um que não me agrada, o seu. Silêncio medroso de quem não fala o que precisa, que tranca no peito com dor as palavras doces ainda sem destino. Seu choro baixinho de quem não encontra mais nada pra preencher o vazio de dentro.

Corre pra mim, que eu te ensino a beleza de sorrir em silêncio um para o outro, ou para o mundo, você é quem sabe. Duas palavras mudas.

Beatriz Oliveira.