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07 novembro, 2011

Caixinha das lembranças II

 Eu lembro do seu cabelo, e da forma como eu costumava arrumar ele, do jeitinho especial e como você sorria bonito quando eu o fazia. Mas talvez você não gostasse tanto, como naquele dia que você desfez e fez bico de menino que nada mais quer. 

 E eu fui obrigada a abandonar porque não queria mais sofrer, eu sei que tenho coragem o suficiente para as coisas, você e todos sabem, ninguém duvida. Mas pra isso não, a dor, eu tenho aquela mania de fugir dela, mesmo relacionada ao amor.

 É eu sei, que você deve estar decepcionado comigo, e com a forma que eu tanto sinto a sua falta, e que eu tanto lembro o teu nome. Você fez eu prometer que não seria triste, que seria feliz.  Feliz e sorridente como sempre fui pra você. Dizia "gosto de te ver assim, sorrindo".
 Acho que você tinha era medo de não ser capaz de viver, sabendo que me fez sofrer, que me fez chorar.  Banal demais teu medo, como o de tantos outros caras. 

 Mas porque raios eu fiz essa promessa? Porque eu sabia que sobreviveria, como fiz das outras vezes. Como vou fazer ainda tantas.

 E sentir saudade tudo bem. A gente escreve, bota pra fora, arruma sempre um jeito. O que não pode é sofrer e chorar baixinho pelos cantos... Sofrer pro mundo é proibido.

 E agora o que que é a gente faz?
Recolhe tudo e tranca na caixinha das lembranças.

Beatriz Oliveira.

14 outubro, 2011

Caixinha de lembranças. I

 Engraçado como aquele cd me faz chorar como uma boba. Mas não o choro do tipo que você conhece, meu choro é pra dentro, as lágrimas de saudade incham meu peito. Nada que uma respirada profunda não dissipe. Mas ainda assim eu sinto doer. Sinto aquele  frio, com um pouco de chuva. E sua voz. Como se fosse agora.
É uma lembrança boa, que me faz ter a certeza de que aprendi tudo o que tinha que aprender naquele ano.

Algumas coisas foram feitas pra provar nossa capacidade de lembrar. Porém esquecer também faz parte.

Beatriz Oliveira.